Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007
Fósseis de hominídeos mais antigos na Europa

Ossos têm sinais de modernidade e primitivismo

Um crânio e esqueletos parciais de três adultos e um adolescente que viveram há 1,77 milhões de anos foram descobertos em Dmanissi, na Geórgia, o que faz deles os fósseis de hominídeos mais antigos encontrados até hoje fora de África.

Como se não bastasse o recorde, os restos fossilizados, que estão bem preservados, de acordo com os cientistas, mostram ainda uma série de características a um tempo primitivas e modernas, que é “surpreendente”, e que traz novas peças ao puzzle da evolução humana.

 

Isso é, pelo menos, o que garante na edição de hoje da Nature o grupo de investigadores liderado por David Lordkipanidze, do museu nacional da Geórgia, que estudou o achado.

Os fósseis encontrados em Dmanissi, a 85 km a sudoeste de Tbilissi, a capital daquele república do Cáucaso, apresentam uma curiosa mistura de características primitivas e modernas. Entre as primeiras contam-se a altura dos indivíduos, entre 1,45 e 1,66 metros, um cérebro pequeno, entre 560 e 632 gramas, idêntica à massa cerebral de um australopiteco (anterior a estes, já que viveu entre há quatro e dois milhões de anos) e a ausência de torção do úmero (osso do braço), o que fazia com que tivesse as palmas das mão voltadas para a frente. As suas características modernas são, por exemplo, as proporções corporais quase idênticas, justamente, às do homem moderno.

 

Estes aspectos juntos fazem pensar, dizem os cientistas, em características de Homo habilis e Homo erectus (o segundo tendo sucedido ao primeiro no tempo) e na possibilidade de a história desta evolução ser afinal mais complexa, como o estudo de outro achado recente ocorrido no Quénia, e publicado também na Nature, já havia avançado.

Num comentário ao artigo de Lordkipanidze e sua equipa, publicado nesta mesma edição da Nature, Daniel Lieberman, antropólogo de Harvard, coloca justamente esta questão, ao afirmar que os fósseis descobertos em Dmanissi “parecem pertencer ao Homo erectus em muitos aspectos”, mas a sua variabilidade, que indica “uma estatura mais próxima do habilis do que do erectus”, reflectem, assim, “a natureza transitória e variável dos primeiros Homo”.

in DN 19-09-2007


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publicado por JorgeAntropólogo às 16:14
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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2007
Homo Habilis e Homo Erectus viveram lado-a-lado - TSF

Os dois novos fósseis que vieram inesperadamente redesenhar a árvore da evolução humana foram descobertos em 2000 na margem Leste do lago Turkana, no Quénia, por uma equipa científica internacional conduzida por Fred Spoor, do University College de Londres.

Tratam-se, por um lado, dos fragmentos mais recentes jamais encontrados de um maxilar superior de um Homo Habilis, datados de 1,44 milhões de anos, e, por outro lado, de um crâneo de um Homo Erectus notavelmente bem conservado e paradoxalmente mais antigo, com 1,55 milhões de anos.

Segundo os investigadores, esta descoberta contraria as teorias actuais e prova que as duas espécies de hominídeos não se sucederam na escala da evolução, mas conviveram lado-a-lado durante muito tempo, provavelmente um milhão de anos, na bacia do Turkana.

Actualmente, considera-se que o Homo Habilis, assim denominado em 1964 porque utilizava utensílios de pedra rudimentares, é uma espécie do género Homo cuja aparição é situada geralmente há aproximadamente 2,5 milhões de anos.

Há cerca de 1,8 milhões de anos estes «inventores de utensílios» teriam dado lugar ao seu descendente, o Homo Erectus, descrito como um estádio da evolução da espécie humana desde 1891 a partir de fósseis encontrados na Ásia com cerca de 800.000 anos.

Durante o século XX, foram desenterrados em África fósseis muito mais antigos desta espécie, considerada a que iniciou a conquista progressiva do planeta.

No entanto, face aos novos ossos encontrados na localidade de Ileret, Quénia, impõe-se, segundo os investigadores, uma nova redacção do primeiro capítulo da história humana.

Para os autores da descoberta, a prova obtida sobre a coexistência entre o Homo Erectus e Homo Habilis torna doravante «pouco provável» que o primeiro tenha evoluído a partir do segundo.

Os investigadores acreditam que as duas espécies devem ter começado a desenvolver-se a partir de um antepassado comum que poderá ter existido há dois ou três milhões de anos, período pobre em fósseis imputáveis ao tipo Homo.

Os dois hominídeos permaneceram sempre espécies separadas, o que, segundo os investigadores, significa que ocuparam cada um o seu próprio nicho ecológico, o que evitou uma concorrência directa entre si.

Os dentes e os maxilares menos potentes do Homo Erectus correspondem a um regime alimentar que inclui mais carne, gorduras animais e outros alimentos mais tenros, contrariamente ao Homo Habilis, adaptado a uma alimentação mais dura, de origem vegetal (por exemplo, nozes ou tubérculos).

Hoje, os gorilas e os chimpanzés actuais compartilham em certas regiões da África os mesmos habitats sem entrar em conflito: embora ambos apreciem frutos maduros, os gorilas passam mais tempo a esmagar vegetação dura, como os rebentos de bambú, enquanto que os chimpanzés partem à procura de outros alimentos, incluindo a carne de pequenos mamíferos.

Desta forma, concluem os autores do estudo, também os primeiros hominídeos poderiam ser vizinhos sem misturarem as famílias.

 


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publicado por JorgeAntropólogo às 15:04
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Sexta-feira, 20 de Julho de 2007
Ossos humanos com um milhão de anos encontrados na Síria

Arqueólogos sírios e suíços encontraram ossos humanos e de animais na região de Tadmur, no centro da Síria, que datam de um milhão de anos, informou a agência oficial de notícias Sana.

Segundo os especialistas, os restos foram encontrados em Bir al-Hamel, considerada «a jazida pré-histórica mais antiga da Síria, que também data de um milhão de anos».

Os ossos pertencem a humanos que viviam em cavernas naquela época, enquanto os restos ósseos de animais correspondem a um camelo, uma gazela e um elefante.

«Os ossos de camelo encontrados indicam que o animal tinha o dobro do tamanho de um camelo contemporâneo», explicou o director da equipa científica, Walid Assad.

Segundo Assad, que não facultou mais pormenores sobre a descoberta, os camelos apareceram primeiro na Síria, para depois se estenderem por outras regiões da Ásia e do norte da África.

20-07-2007 13:39:48

 

in Diário Digital



publicado por JorgeAntropólogo às 15:14
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