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Terça-feira, 2 de Outubro de 2007
PJ acusa polícia inglesa de estar a favorecer o casal Mc Cann

“A polícia britânica tem estado unicamente a trabalhar sobre aquilo que o casal McCann pretende e lhe convém.” Foi num tom explosivo e revoltado que o coordenador da investigação sobre o caso Madeleine, Gonçalo Amaral, comentou em breves declarações ao DN a notícia publicada ontem em vários jornais ingleses. Esta notícia dava conta de um e-mail anónimo enviado para o site oficial do príncipe Carlos, que acusa uma ex-empregada do The Ocean Club de ter raptado a menina de quatro anos, por vingança para com a administração do aldeamento, situado na Praia da Luz, depois de ter sido despedida.

 

“Essa situação está completamente posta de parte, não tendo qualquer credibilidade para a polícia portuguesa”, afirmou ao DN o responsável pelo Departamento de Investigação Criminal (DIC) de Portimão, para quem os seus colegas ingleses “têm vindo a investigar dicas e informações criadas e trabalhadas pelos McCann, esquecendo-se que o casal é suspeito da morte da sua filha Madeleine”.

 

“Essa história do rapto por vingança é mais um facto trabalhado pelos McCann”, acusou Gonçalo Amaral, frisando que o The Ocean Club “está situado na Praia da Luz e não em Londres, o que significa que tudo o que diga respeito ao aldeamento e respectivos funcionários (actuais ou ex) já foi ou está a ser investigado pela Polícia Judiciária”.

 

“Não é um e-mail, ainda por cima anónimo, que é fácil de saber de onde partiu, que vai distrair a nossa linha de investigação”, frisou aquele responsável.

 

Gonçalo Amaral, antes de estar no DIC de Portimão, esteve na Directoria de Faro da PJ, sendo responsável sobretudo pelo combate ao tráfico de droga.

 

A posição do coordenador do DIC de Portimão da PJ vem, aliás, ao encontro das declarações prestadas ao DN pelo presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC), Carlos Anjos, que acusa Gerry e Kate McCann de, “ao anunciarem diariamente um facto novo, pretenderem distrair e atrapalhar a investigação”. Para aquele responsável, tal como o DN noticiou, “os McCann iniciaram uma campanha de descredibilização da polícia portuguesa quando esta apresentou a tese da morte da menina, substituindo, assim, a do rapto, que muito lhes convinha”.

 

“Enquanto subsistiu a tese do desaparecimento por suspeita de rapto, a PJ era uma companhia muito agradável para o casal. Quando as coisas mudaram e passou a haver a tese da morte, mudou radicalmente a postura dos McCann, os quais, aliás, nunca ajudaram nem facilitaram, desde o princípio, a investigação”.

 

De resto, em finais de Agosto, princípios de Setembro, poucos dias antes de Gerry e Kate terem sido constituídos arguidos, por suspeitas da morte por negligência da sua filha Madeleine, um alto responsável da Judiciária proferiu o seguinte comentário: “Depois de termos comprado uma guerra com os media britânicos, agora estamos a comprar outra com a polícia inglesa.”

 

Nas últimas semanas, a Polícia Judiciária tem estado remetida ao silêncio, para o que contribuiu o facto de o porta-voz daquela força para o caso, Olegário Sousa, ter entretanto deixado essas funções, que desempenhava desde o desaparecimento da criança.

 

In DN


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publicado por JorgeAntropólogo às 16:43
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